Wi-Fi é uma ameaça invisível para a saúde?

Foto de Gerd Altmann em Pixabay.      Os campos magnéticos de baixas frequências e os campos eletromagnéticos de radiofrequências são “possivelmente cancerígenos para os humanos”, alerta a Organização Mundial da Saúde.

Existem, não se veem, mas sabemos de imediato se elas estão ou não à nossa volta porque já somos dependentes da sua existência. São as ondas eletromagnéticas não-ionizantes emitidas em baixa frequência através da internet sem fios, a chamada rede wireless (Wi-Fi). Em casa, no trabalho ou na rua permitem a comunicação de voz, dados e/ou imagem em tempo real, através de um computador, TV, tablet ou telemóvel.

É a revolução digital que está a mudar o mundo à velocidade da luz, mas sem que a população se aperceba dos malefícios, a que está sujeita diariamente, por este cocktail de radiações. Todos os seres humanos são verdadeiras cobaias das ondas eletromagnéticas de baixa frequência e das respetivas radiações, alertam muitos cientistas.

A própria Organização Mundial da Saúde (OMS), em 2011 e depois em 2016, através da Agência Internacional para a pesquisa sobre o cancro, admitiu que “os campos magnéticos de baixas frequências e os campos eletromagnéticos de radiofrequências” são “possivelmente cancerígenos para humanos” e também podem provocar hipersensibilidade eletromagnética.

Igualmente em 2013, a Agência Nacional de Segurança e Saúde da Alimentação, Ambiente e Trabalho (ANSES) recomendou: “limitar a exposição da população às radiofrequências, em especial a partir de telefones móveis e particularmente para crianças e utilizadores frequentes”, bem como, “controlar a exposição global da radiação de estações de base da rede móvel”.

Só em Portugal, existem atualmente mais de 15 mil antenas de comunicações móveis instaladas e os acessos à internet, através de routers de Wi-Fi, deverão rondar os três milhões. Já para não falar nos 16 milhões de cartões de telemóvel ativos. A juntar a tudo isto há ainda as infraestruturas de fornecimento e distribuição de eletricidade, bem como os inovadores contadores inteligentes que inundam o país. Também em muitos casos, existem mesmo postos de alta tensão e estações-base de telecomunicações junto de escolas, deixando que o impacto eletromagnético seja esquecido a troco de contrapartidas financeiras, como admitem alguns gestores de telecomunicações.

O regulador do sector das telecomunicações, Anacom, tem feito inspeções em Portugal, mas considera tudo normal. Em 2016 foram feitas 1.846, das quais 242 junto a escolas e o resultado é sempre o mesmo: cumprem os níveis fixados por lei (ver aqui), embora não sejam revelados os valores da leitura.

No entanto, todos conhecemos pessoas que se sentem muito incomodadas por conviver de perto com uma antena de telecomunicações ou até quando entram num centro comercial, onde há grande concentração de luzes, computadores/caixas registadoras, terminais automáticos de pagamento, sistemas de alarme, deteção de incêndios, câmaras de segurança, internet fixa e móvel. Um cocktail de campos eletromagnéticos, ou seja, poluição invisível a olho nu que é prejudicial para o nosso organismo.

Polémica e discórdia

Mas também há cientistas que discordam e contestam os estudos que existem sobre o risco para a saúde humana. Ainda, no início de 2017, o Comité Científico Assessor em Radiofrequências e Saúde (CCARS), sob a égide da Universidade Complutense de Madrid, e cuja direção foi assumida em 2016 pela Ordem de Engenheiros de Telecomunicações, apresentou um relatório que admite desmontar 350 estudos, concluindo que os níveis de exposição na Europa “estão a centenas ou milhares de vezes abaixo dos recomendados pela União Europeia, a OMS e a Comissão Internacional de Proteção Contra a Radiação Não Ionizante (ICNIRP)”.

A verdade é que cada dia que passa estamos mais expostos a campos eletromagnéticos sem que haja uma medição global permanente dos locais onde nos encontramos. Assim, apesar da incerteza que paira no ar, cabe a cada um de nós avaliar se vale a pena expor o nosso corpo, alma e espírito a esse risco.

Quais são os riscos?

Foto de Life-Of-Pix em Pixabay.     Hipersensibilidade elétrica já é reconhecida como doença pelo Parlamento Europeu.

Muitos cientistas, incluindo a Organização Mundial da Saúde, admitem que há risco de cancro, stress celular, aumento de radicais livres perniciosos, danos genéticos, mudanças estruturais e funcionais do sistema reprodutivo (infertilidade em ambos os sexos, que no caso das mulheres pode começar por alterar o ciclo menstrual, o processo de ovulação e até provocar o aborto), ou ainda a quebra do sistema imunitário, do sistema sanguíneo e cardiovascular, défices de memória e aprendizagem, distúrbios neurológicos e impactos negativos sobre o bem-estar geral dos seres humanos. Alguns dos sintomas são manifestados através da vista cansada, dores de cabeça ou nos ombros, mente esgotada, entre outros.

Se em relação ao cancro cerebral e do sistema nervoso continua a ser difícil comprovar a correlação estatística, já em relação à eletrosensibilidade o Parlamento Europeu, foi a primeira entidade internacional a reconhecer a doença na resolução de 2 de abril de 2009 art. 28:

“Os Estados-Membros devem seguir o exemplo da Suécia e reconhecer que pessoas que sofram de hipersensibilidade elétrica, sejam reconhecidas como portadoras de incapacidade, garantindo-lhes proteção adequada e igualdade de oportunidades” (Leia o documento na integra).

Na Suécia, o Estado aceita baixas médicas pela eletrosensibilidade e garante compensações financeiras devido à incapacidade.

Em Espanha, no final de 2011, já foi reconhecida a hipersensibilidade elétrica e pela primeira vez foi dada pensão de reforma completa a uma funcionária portadora desta incapacidade.

Em França, por exemplo, a escritora Marine Richard, de 39 anos, recebe uma pensão mensal de invalidez, apesar do Estado Francês não reconhecer a eletrosensibilidade. 

Hugo Dunkel, 29 anos, citado pela revista Visão (edição 5/5/2016), não descarta que fatores psicológicos possam contribuir para a sua eletrosensibilidade mas, para o designer do Porto, é impossível negar a evidência do que lhe acontece: “Se estiver muito tempo a usar o computador com Wi-Fi ou ao telemóvel, a pele das minhas mãos fica muito seca, os dedos aquecem e aparecem cortes quase instantaneamente.” Confessa que já foi “muito gozado e incompreendido”.

Assim, como o seguro morreu de velho, o melhor é prevenir e a melhor solução é desligar o Wi-Fi de casa, bem como todos os aparelhos electrónicos disponíveis para garantir que durante a noite não ficará exposto às ondas eletromagnéticas não-ionizantes. 

Foto de Wokandapix em Pixabay.      Antes de dormir desligue a rede Wi-Fi de toda a casa para ter uma noite mais tranquila.

 

 

Sinta mais sobre Wi-Fi em:

França proíbe Wi-Fi em creches e restringe nas escolas primárias

 

Reforce a sua consciência em:

http://monit.it.pt/downloads/file113_pt.pdf

http://monit.it.pt/downloads/file102_pt.pdf

http://faqtos.pt/downloads/file224_pt.pdf

http://visao.sapo.pt/actualidade/sociedade/2016-05-05-Zona-Wi-Fi-Perigo-para-a-saude-

http://visao.sapo.pt/actualidade/sociedade/2016-05-05-Fui-obrigada-a-abandonar-tudo

https://pt.linkedin.com/pulse/como-os-campos-eletromagnéticos-e-electrónicos-nos-influenciam-noem

http://www.bbc.com/portuguese/curiosidades-37981911

http://www.icnirp.org/cms/upload/publications/ICNIRPemfgdl.pdf

http://www.icnirp.org/cms/upload/publications/ICNIRPStatementEMF.pdf

http://monographs.iarc.fr/ENG/Monographs/vol80/

http://monographs.iarc.fr/ENG/Monographs/vol10

http://www.who.int/ceh/capacity/radiation.pdf?ua=1

https://camposeletromagneticos.wordpress.com/2016/10/20/wi-fi-em-escolas-perigo-iminente/

https://camposeletromagneticos.wordpress.com/2017/01/23/energias-alternativas-um-perigo-para-a-saude/

http://monit.it.pt/downloads/file127_pt.pdf

http://www.faqtos.pt/index.php?id=15

 

 

 

 

 

 

 

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